quinta-feira, 15 de novembro de 2007

conclusões após a visita

A visita de hoje à casa de minha mãe,

no antigo bairro onde eu morava,

trouxe novamente lembranças que eu jurava

por tudo que em mim sinto que é puro e sagrado,

jurava que haviam se extinguido por completo

de minha cabeça.

Provo-me, nesse instante mais uma vez,

o quão complicado é fazer afirmações sobre o futuro.

A pouco tempo atrás, poderia dizer de peito aberto,

com orgulho, quão forte eu era, quão prevenido estava

a respeito das coisas do coração. Podia palestrar por

horas para quem quer que fosse, sobre o amor, sobre a

vida, sobre as coisas superiores do homem. Que engano!

Me sinto agora como nos meus 15 anos de idade, completamente

sujeito às novidades da vida, vivendo cada instante,

com a ansiedade e falta de preparo e experiência de 7 anos atrás.

E olhe...como eu me julgava crescido após esse tempo que se passou.

Pensava que problemas dessa natureza,

somente surgiriam a uma pessoa uma vez só.

Pensava que com o tempo iria aprender a lidar com esse tipo de situações.

Ah...deve ser o cigarro! Pensava. Acendia um após o outro, e assim até três

carteiras de cigarros por dia, e ela ainda ali me perturbando.

Ah, então deve ser o café (vício), e após copos e copos de café,

a mesma ansiedade. Dormir não resolvia, nem companhia resolvia.

Nem música, nem livro, nem filmes, nem tocar o violão por horas e horas.

Nem conversas com amigos, e muito menos encher a cara com alguma bebida,

o que por muito tempo foi um santo remédio.

Agora depois de muitos anos pensando nisso, acho que chego à distinção mais madura que já fiz de meus sentimentos.

Essa angustia que sinto, essa vontade insaciável, esse aperto prolongado

que afeta a concentração e me tira o sono a anos fazendo com que

as madrugas se passassem todas com os olhos bem abertos; esse calor incomodo no frio, e esse frio cortante no calor; esse barulho no meio do nada,

que trás a mesma sensação desse silêncio em meio a tanta gente;

essa ausência de cor no arco-íris, e essa apatia, essa preguiça,

não é nada mais que saudade.

Saudade de pessoas que ficaram, de músicas que ouvi e não ouço mais.

Saudades da verdade que vivia com meus 15 aos de idade.

Nada era falso, era tudo a mais pura verdade.

O que eu falava, o que eu sentia, as ridas, os porres.

Hoje, soa tudo uma grande mentira quando eu acordo.

A saudade que eu sinto, além dessas ainda, que não podem mais voltar,

acho que é saudades mim.

Falta

Ao mesmo passo que as coisas vem caminhando bem por esses tempos,

sinto que um vazio profundo faz abrigo aqui dentro.

Nos ventos, poucos ventos, que por aqui circulam,

mexendo galhos de arvores e revirando a poeira,

não sinto o frescor do qual era provável que sentisse.

Dos ventos sobra apenas o medo, de que com eles vá embora

o que ainda resta. E ah, como é nobre o que me resta.



De tudo que ficou pra trás,

Algumas lembranças ainda voltam a incomodar ligeiramente

quando vem a manhã, e às vezes permanecem durante todo o dia,

A apunhalar-me pela frente, me encarando...nos olhos!

Não sinto disso o medo que deveria sentir,

nem me acovardo, apenas sinto as punhaladas,

como um julgamento justo e tardio.



O que tenho agora, não me comove nem me inspira.

Não faço conta do que está agora tão palpável,

e parece-me tudo tão efêmero quanto da ultima vez,

tão raso quanto nascente de rio.

Não durmo e nem acordo esperançoso, e,

somente a ansiedade me visita cigarro após cigarro.



Das coisas que deixo para o futuro,

prevê-las já não posso, e nem quero.

Quero apenas que se tornem um pouco mais brandas,

que tenham menos espinhos, e tons mais nobres.

Quero agora o mesmo que sempre quis.

Quis o que irei quer por todo o sempre.

O que me falta é paz!