A visita de hoje à casa de minha mãe,
no antigo bairro onde eu morava,
trouxe novamente lembranças que eu jurava
por tudo que em mim sinto que é puro e sagrado,
jurava que haviam se extinguido por completo
de minha cabeça.
Provo-me, nesse instante mais uma vez,
o quão complicado é fazer afirmações sobre o futuro.
A pouco tempo atrás, poderia dizer de peito aberto,
com orgulho, quão forte eu era, quão prevenido estava
a respeito das coisas do coração. Podia palestrar por
horas para quem quer que fosse, sobre o amor, sobre a
vida, sobre as coisas superiores do homem. Que engano!
Me sinto agora como nos meus 15 anos de idade, completamente
sujeito às novidades da vida, vivendo cada instante,
com a ansiedade e falta de preparo e experiência de 7 anos atrás.
E olhe...como eu me julgava crescido após esse tempo que se passou.
Pensava que problemas dessa natureza,
somente surgiriam a uma pessoa uma vez só.
Pensava que com o tempo iria aprender a lidar com esse tipo de situações.
Ah...deve ser o cigarro! Pensava. Acendia um após o outro, e assim até três
carteiras de cigarros por dia, e ela ainda ali me perturbando.
Ah, então deve ser o café (vício), e após copos e copos de café,
a mesma ansiedade. Dormir não resolvia, nem companhia resolvia.
Nem música, nem livro, nem filmes, nem tocar o violão por horas e horas.
Nem conversas com amigos, e muito menos encher a cara com alguma bebida,
o que por muito tempo foi um santo remédio.
Agora depois de muitos anos pensando nisso, acho que chego à distinção mais madura que já fiz de meus sentimentos.
Essa angustia que sinto, essa vontade insaciável, esse aperto prolongado
que afeta a concentração e me tira o sono a anos fazendo com que
as madrugas se passassem todas com os olhos bem abertos; esse calor incomodo no frio, e esse frio cortante no calor; esse barulho no meio do nada,
que trás a mesma sensação desse silêncio em meio a tanta gente;
essa ausência de cor no arco-íris, e essa apatia, essa preguiça,
não é nada mais que saudade.
Saudade de pessoas que ficaram, de músicas que ouvi e não ouço mais.
Saudades da verdade que vivia com meus 15 aos de idade.
Nada era falso, era tudo a mais pura verdade.
O que eu falava, o que eu sentia, as ridas, os porres.
Hoje, soa tudo uma grande mentira quando eu acordo.
A saudade que eu sinto, além dessas ainda, que não podem mais voltar,
acho que é saudades mim.